E se alguém soltar o elástico?
A monotonia que pode custar caro em curto prazo.

O governador Jaime Lerner tem repetido em diversas ocasiões públicas uma frase de efeito: "O Paraná não será mais estado periférico de ninguém".Ao anunciar seu secretariado, com os mesmos nomes de seu primeiro governo, o que significa dizer que ninguém ficou sem emprego nem deixou seus seguidores ao desabrigo, não dá para perceber um perfil tão arrojado. Para que o Paraná deixasse de ser periférico ficaram faltando nomes estruturais na composição da equipe de apoio ao governo.

Até onde a mesma equipe ­ em muitos dos nomes se vê o dedo do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi ­ tem utilidade num governo que precisará ficar moldado ao modelo político nacional? Será o Paraná tão pobre de nomes e tão lento em desenvolvimento político que só tem a oferecer a mesma cara dos últimos trinta anos? Ou será o contrário: os que se consideram bons não querem arriscar a pele e o futuro político numa aventura administrativa, pois que os tempos são outros e a crise geral do país é teste para administradores?

Ao que parece, as duas coisas. Jaime Lerner não quer riscos políticos em seu governo. Fica com os que conhece e que o conhecem , jeito tranquilo de saber que cada um arruma seu pedaço da casa de acordo com a vontade do dono.Nada de enfeites fora do lugar, tapete do quarto arrastado para a sala, festas com convidados estranhos. Com tanta rotina desagradou "gregos e goianos". O mundo político do Paraná- entenda-se os que têm voto - ficou de fora.
Empenhados em cargos eletivos, apenas dois: o secretário do Esporte e Turismo, Ney Leprevost, que deixa um mandato de vereador e pode melhorar seu currículo para uma futura investida eleitoral para a Assembléia Legislativa, e o deputado federal eleito por Londrina e região, Alex Canziani, que abdica de 75 mil votos para a Câmara Federal e vai cuidar da pasta do desemprego, conhecida como Secretaria do Trabalho. Se o governador Jaime Lerner pretende fazer dessa uma pasta estratégica, o novo secretário pode se sair bem. Se não , o gesto quixotesco de Canziani pode arrefecer uma carreira política trabalhada até aqui com extremo cuidado.



Jaime Lerner
apresenta um secretariado
que desagrada aos políticos
e não decifra as novidades
de seu próximo mandato.