
Até quando um Paraná
sem identidade?
O Paraná é estratégico. Não está
tão ao Sul quanto o Rio Grande e nem tão atrelado
aos compromissos nacionais quanto São Paulo. Não
é o cérebro político do país, como
Minas Gerais, nem seu cartão postal, como o Rio . Está
o Paraná em estado de graça para dialogar com o
Mercosul em nome do país. Para isso, é preciso
que exista o Mercosul. Exista para todos, e não apenas
para setores privilegiados da economia, que transitam pelo roteiro
do capital sem rótulos ou acordos de boa vizinhança.
Ao se referir ao fato de que pretende sair da periferia dos outros
estados o governador Jaime Lerner pode estar pensando nesse potencial
que o Paraná tem de trabalhar uma visão internacional
do país. Só isso explicaria a inexpressiva presença
do estado que governa na composição do futuro governo
Fernando Henrique. Um ministério do Esporte e Turismo
para Rafael Greca, o deputado mais votado do Paraná. Ainda
não confirmado, só especulado. Um cargo dentro
do gabinete presidencial para Euclides Scalco, ainda não
aceito, que não quer o atual presidente da Itaipu Binancional,
primeiro presidente nacional do então recém-criado
PSDB( Fernando Henrique foi o segundo) ficar segurando a cauda
das cabeças coroadas do Planalto.
Se Rafael Greca se contenta com um ministério que não
tem verba, lida só com lobies esportivos e um turismo
caótico e desalinhado, é tema para outro comentário.
Se Scalco prefere prefere jogar só se puder levar a bola
para casa, também é outra conversa. A questão
é o que Jaime Lerner pretende fazer para que o Paraná
deixe de ser um estado periférico. Mais Renault não
dá para trazer para cá. A produção
de automóveis do país está encalhada este
ano e os modelos 99 serão lindos e caros para todos os
bolsos.
Só vão sobreviver nos difíceis próximos
anos os governos criativos. Depois de quase trinta anos de poder
é difícil acreditar que o governador do Paraná
ainda tenha ilusões sobre a potencialidade da função
pública. Ele já sabe que a vida pública
é muito mal comportada. Compôs um secretariado a
sua imagem e semelhança. Na atual filosofia global, um
erro feroz. O segredo é misturar, juntar cabeças
diferentes e ambições variadas. Da diversidade
nasce o talento e a eficácia. Se só ouvimos o que
queremos, quem nos dirá como sair dessa inércia
confederativa, governador? |

Um ministério inexpressivo
para uma votação consagradora.
Rafael Greca fica no primeiro
time na soleira do Poder.

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