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os aliados vacilam Marilena Braga A semana foi tumultuada . CPIs no esquecimento, foi a hora de investir no tamanho do Congresso Nacional. O deputado federal Jair Bolsonaro, do Rio de Janeiro, conhecido por suas posições sectárias, sugeriu o que muito brasileiro pouco informado deseja inconscientemente: o fechamento do Congresso Nacional. E disse que os governos militares deveriam ter fuzilado uns trinta mil corruptos, "a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso". Pegou pesado e não se encolheu. Argumentou que se na condição de deputado pode criticar a imprensa e a Ordem dos Advogados do Brasil, por que não o Congresso, do qual ele mesmo faz parte? O presidente disse que vai processar o deputado, e seu cérebro político, o senador Antonio Carlos Magalhães, que vai cassá-lo. E mais não foi dito . A estrela do deputado brilhou um dia só. E o presidente levou mais um desaforo para casa. Uma zona, nossa pátria amada. Final de semana, os grampos telefônicos de volta. O presidente sendo cantado por telefone só amadores rifam empresas bilionárias sem uma conversa cara a cara e tendo que dar explicações sobre sua moral intocável. Agora a busca , através da Polícia Federal, sobre a origem das escutas telefônicas. O deputado Miro Teixeira, do PDT, também do Rio de Janeiro, acha que é coisa do serviço nacional de informações brasileiro. Está quente. Pela minha cabeça passou que pode não ter sido o brasileiro, mas o estrangeiro. Com tanto capital internacional envolvido, deve o governo do Brasil estar certo de que agiu sem testemunhas ocultas? O Brasil é um país robusto. Mas vem sendo mal alimentado. Perde as forças e se debilita , levando junto suas instituições. O Judiciário foi achincalhado pelo Legislativo. O Executivo, através dos escândalos do Banco Central, sob seu comando, zombou do Legislativo , encomendando uma Comissão Parlamentar de Inquérito de fachada. Um poder serve a outro conforme as conveniências , e todos se engalfinham quando os objetivos políticos e financeiros saem de controle . Os três poderes não estão sabendo separar suas funções. Não conseguem se auto-respeitar. Se entre os que têm empregos e que empregos o desespero leva à inconsequência, que dizer dos que não têm, já que os últimos números chegam a 20 por cento de desempregados no país? É preciso ordem na vida política brasileira. Alguém deve ter clareza no meio de tanta confusão. Que o governo atual é coisa do passado, todos sabem. Mas não é hora de deixar a realidade flagrante. Pelo cuidado político dos que pretendem o poder 2002 ainda está longe é urgente que cada poder reassuma sua função. Se não pelo Brasil, pelas próprias ambições. O país está desnorteado sem a mesa farta . Findas as iguarias, sobrou a mistura do dia-a-dia . Se o poder não pode viver como os brasileiros, que não os faça assumir suas culpas. |