| < Voltar para o jornal do dia < capa da edição de 27 de fevereiro de 1999 |
| Paraná,
apertado na roupa que veste. Marilena Braga Garotinho, Olívio Dutra, Covas. O trio de quem a maior rede de televisão do Brasil fez questão de ouvir um comentário sobre a reunião dos governadores com o presidente da República. Já ia esquecendo: estava lá , microfones à disposição, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney. A voz dos quatro foi suficiente para rechear o país com a informação de que o encontro houve, todos saíram contrafeitos e com as dívidas do mesmo tamanho, além de uma tarefa a mais: mandar funcionário público procurar outra fonte de renda que não o tesouro estadual . Demissões para o funcionalismo excedente. Quem se atrever a fazer a tarefa imposta pelo Presidente será o primeiro na lista a ganhar espaço na telinha , pode-se concluir . O Jaime Lerner não foi entrevistado pela Globo. Não apareceu dizendo para o Brasil todo o quanto o encontro foi produtivo (e pela expressão nas entrelinhas dos entrevistados se deduz constrangedor) ainda que movido por um ingrediente comum a todos: a falta absoluta de dinheiro nos cofres públicos. Depois de quatro anos gerenciados por governadores que raciocinavam na ótica da inflação a que foram habituados ( dezesseis governadores foram reeleitos o ano passado) os estados não sabem como trilhar o caminho da abstinência financeira. O Jaime Lerner diz que sabe, mas a grande mídia não liga para ele. Prefere o Garotinho, com sua exuberância carioca, o Dutra, cirscunspecto como um maragato ou o Covas, cuja articulação verbal deveria passar ao presidente Fernando Henrique, por osmose. Às vezes dá vontade de sacudir o Jaime Lerner para que aprenda a ter ganância política. A boa e produtiva ganância, aquela que faz abrir a boca na hora certa, se colocar diante dos refletores quando tem boas idéias a transmitir, pisar nos pés e dar ostensivas cotoveladas nos que se arvoram em donos das soluções. Se durante a campanha eleitoral do ano passado a acusação do adversário, senador Roberto Requião, foi de um gasto maior que 300 milhões de reais com propaganda institucional, que invista agora. Chame essa imprensa promíscua alcunhada de grande , bata no peito e diga já : Estou aqui. Inventei um Fundo de Previdência que está sendo contestado constitucionalmente pelo PT, pedi a privatização do Banestado que está sob suspeição pelo PMDB, escancarei o Paraná para as fábricas internacionais de veículos , ainda que para isso tivesse que ter financiado e eximido de impostos o capital estrangeiro , o que me valeu três anos de castigo dos senadores do estado, aos quais não quis entregar os termos do acordo. Diga mais . Fale que não conseguiu ainda implantar as agroindústrias porque é difícil colocar na cabeça do pequeno e médio agricultor a vantagem de trabalhar o produto , ao invés de vendê-lo "in natura". Diga que está faltando nesse setor uma Faxinal do Céu com as premissas básicas de que o imediatismo trás prejuízo a médio prazo. E para quem não sabe o que é Faxinal do Céu exiba a Universidade do Professor como um diploma. Voar alto e acima de todas as cabeças é privilégio que o governo Lerner deu, sim, ao professorado. Se a classe não soube aproveitar e deixou o estômago roncar mais alto do que o cérebro é outro assunto. E pare de segurar a cauda do presidente Fernando Henrique. Se é por causa do dinheiro para sanar o Banestado, não precisa cortesias. O governo federal já foi generoso que chega com outras instituições falidas. E particulares. Vai quebrar a corrente do bem bom justo na hora de fechar a conta do Paraná? Nós paranaenses não somos adeptos de muitas mesuras. Quando as fazemos corremos o risco de deixar o corpo a descoberto, revelado por costuras mal feitas na vestimenta. Ao invés de afagos ao Presidente vamos tratar de contratar alfaiate novo. Só os bem vestidos de audácia e ganância política saem na telinha da televisão. Se o Jaime Lerner não precisa disso, porque já está com a vida feita, o Paraná precisa. Votou nele para quê? |
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