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A ardilosa missão do oficial
da justiça
Texto e fotos: Jomar Cunha
O árbitro de futebol. O policial civil ou militar. O oficial
da justiça. Todos se vêem jogados num cenário
de relacionamentos que podem gerar conflitos. A postura de cada
um diante dos fatos é que vai ditar a linha de conduta
de ambas as partes. Mas quem está mais a mercê de
missões ásperas e conflitantes é o oficial
da justiça que cumpre as determinações judiciais.
Isso quer dizer, por exemplo: se o juiz determina a prisão
de alguém, quem vai lá cumprir o mandado de prisão
é o oficial da justiça; uma busca e apreensão;
uma penhora; a citação para chamar essa pessoa
à juizo; a intimação dos autos do processo.

Tribunal de Alçada
- Curitiba
E assim segue o rol das ações
que é obrigado a executar. Na maioria das vezes, o conteúdo
dos documentos para chamar, intimar, citar e até em atos
de concessão de bens, não são páginas
que favoreçam a criação de um vínculo
agradável entre as duas pessoas, oficial e intimado. E
na maioria das vezes, o oficial se vê obrigado a viver
situações que geram climas de revolta, antipatia
e discussões.
Os truques para ser recebido
"O oficial da justiça é muito mal recebido",
afirma Marcelo Gandolfi Siqueira, acrescentando "é
como se ele estivesse levando o problema para a pessoa. Ela se
esquece que esse problema já existe, que foi motivado
por um ato dela mesma." Quase todas as pessoas fogem do
oficial da justiça, e ele conta que muitas vezes tem que
desenvolver algumas técnicas para driblar esta "fuga".
Siqueira, que é oficial da justiça há dez
anos e atua na 8ª Vara Cívil e 4ª Vara da Família,
relata que dentro do meio em que trabalha também existem
conflitos que provocam certas desilusões profissionais.
Confessa com amargura que "tem advogado que acha que chamando
o oficial de "meirinho" o está depreciando dentro
da lei, e sublinha com ênfase: "Somos avaliados pelos
maus profissionais." Vive o conflito com as pessoas, fora
e dentro do círculo de trabalho e ainda, é cerceado
em poder desenvolver sua profissão como bacharel em direito,
pois é oficial da justiça: "Não posso
advogar, são funções tecnicamente compatíveis."
Siqueira confidencia que sua " intenção é
logo que puder me exonerar, deixar de ser um serventuário
da justiça."

Fórum Cível
- Curitiba
MFG, 48 anos, nos corredores
do Fórum Cível, réu em processo tramitando
em Vara da Família, diz que detesta aquele homem que foi
em sua casa levar a intimação. "Meu advogado
disse para me esconder dele, mas aquele dia jamais iria imaginar
que ele estivesse me esperando quando saí de carro da
garage. Era um sábado e ainda por cima, feriado".
Com uma citação criminal, HTS, 52 anos, afirma
enfaticamente que o "cara foi muito mal educado, metido
a dono da lei e ficou falando alto da minha intimação.
Detestei e sempre que puder vou me esconder desse tipo de gente".
| Jomar
Cunha é jornalista e publicitário. |
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O juiz
Antenor Demeterco
Junior, da 6ª Vara Cívil,
destaca a importância
do oficial da justiça
afirmando que "ele é
que é o contato do juiz
com a população.
O principal ato do
processo é a citação
e é ele quem faz."
E quanto à forma de
relacionamento do oficial
com as pessoas citadas,
destaca o juiz que
"depende muito de como
ele chega na população.
As vezes leva uma
insatisfação. Ninguém
gosta de ser réu
numa ação ." |