| < Voltar para o jornal do dia < capa da edição de 21 de abril de 1999 |
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dinheiro jogado fora Marilena Braga As leis brasileiras costumam ser banalizadas até seus extertores. As leis eleitorais , então, extrapolam seu tempo de vida útil. Enquanto se discute cada vez com mais exigência a reforma partidária , como emergencial e capaz de prover o retorno à credibilidade política, vemos a intromissão diária de mensagens partidárias segmentadas através da televisão, com líderes estafados ou anônimos apresentadores clamando por novos filiados. Um desafio à inteligência e à tolerância dos que buscam nos meios de comunicação informação e entretenimento. Falam os políticos em fidelidade partidária. Não se sabe de um que tenha até agora arregaçado as mangas para procurar, na raíz da cultura política nacional , como deve ser a estrutura partidária eficiente para o Brasil. A que está aí não é. Esta, é útil para os perpetuadores de mandatos. Serve ao imediatismo e desestabiliza qualquer forma de governo. Gera insegurança e desconfiança no povo, ainda que a grande maioria de analfabetos políticos não se dê conta de que a política regula suas vidas tanto quanto seus contra-cheques. Os horários gratuitos do TRE Tribunal Regional Eleitoral afrontam a liberdade dos meios de comunicação de massa. Alguém paga essa conta televisiva. Não é o TRE, em última análise, pois que a justiça eleitoral não se sustenta com recursos próprios . Sai dos cofres federais em isenções de impostos aos veículos privados do horário de publicidade a verba para anunciar diariamente partidos falidos de idéias, intenções e compatibilidade com as necessidades brasileiras. Até que seja feita a reforma partidária uma cobrança dos meios produtivos e um débito permanente dos ginastas políticos não deveria o poder público pagar por produto de baixa qualidade. É o mesmo que expor nas prateleiras dos supermercados produtos com validade vencida . Se nesses casos há penalidade, com a grita do consumidor, por que ostentar diariamente rótulos partidários que se assemelham a embalagens vazias? Em país de economia fraca a atividade política tende a ser presente em todos os setores. Um facilitador para o desequilíbrio produtivo e um entrave para o entendimento do cidadão médio da importância de sua participação. Clube fechado, a política é para os políticos. Deveria vir com um alerta: manter longe do alcance de crianças. Entidades herméticas, os partidos políticos abrigam adultos de todas as espécies . A precariedade com que se desenvolvem, o que dá às dezenas de siglas partidárias uma paradoxal força, desorienta a massa eleitoral. É onde reside a marca particular de cada dono de mandato. O mandato pertence ao votado, não ao votante. Menos ainda ao partido que gerou a possibilidade do voto. É a representação personalista, a cópia fiel de um país sem unidade e objetivo comum. Terá alguém vontade de modificar isso? Haverá intenção verdadeira de realinhar donos de mandatos federais, estaduais e municipais dentro de uma ordem jurídica, responsável, partidária? Enquanto não se constata que essa é uma intenção urgente na vida brasileira , poupe-se o povo de exibições gratuitas e não solicitadas das ganâncias partidárias. Se o dinheiro público é ralo e negado às necessidades básicas do país , com que direito e com a procuração de quem é gasto com manifestações incoerentes e indignas de merecerem prioridade .
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