< Voltar para o jornal do dia
< capa da edição de 21 de janeiro de 1999




Um tempo para achar o rumo perdido.

O Brasil tem rumo, dizia o presidente Fernando Henrique há bem pouco tempo. Mais do que dizia. Se jactava. O rumo a que ele se referia passava por muitos números, desconhecidos até dele mesmo , pois não faziam parte de um pacto nacional pela segurança da economia. O capítulo a que ele se referia era o aumento de impostos ­ o dobro quase de imposto compulsório sobre os cheques emitidos ­ e o estrangulamento da Previdência Social , que faz agora aposentados pagarem de novo o que já pagaram . Outras medidas vão ser necessárias , dentro da estreita visão dos que lidam com a economia brasileira , remediando o que já aconteceu . Se o Brasil de fato encontrar um rumo vai ser por conta de sua população. A classe média não existe mais. Um mal a menos. Se existia uma resistência a adequar a vida brasileira nos limites das posses do país, existia alí.

É de estranhar que os ecos das dificuldades brasileiras estejam tardando. Dentro dos governos estaduais , a tomar o Paraná como exemplo, o ufanismo ainda não arrefeceu. E tem secretário de governo em férias, acreditem. Fortuna e Virtude espera há dez dias informações do governo sobre a dívida do estado. Nada. O secretário guarda os números como um tesouro ­ e é ­ e nada informa. Para sair da mesmice, vamos atrás da área de Ciências e Tecnologia. Alí devem estar fazendo alguma coisa. As agro-indústrias precisam sair da propaganda e do papel. Um parque tecnológico deve ser desenvolvido, para acompanhar a industrialização do estado.

Mas o secretário da Pasta está em férias. Até se compreende. Ele é secretário pelo quinto ano seguido. Antes respondia pela pasta de Educação. No governo reeleito - onde todos continuaram, só fizeram um rodízio ­ ficou em outra posição. Sem secretário , sem informações. A hierarquia continua a grande praga dos governos.Uma notícia , um tema importante, corre por muitos canais até chegar onde precisa. Há um transporte de indiferença no meio desse caminho. O governo do Paraná, isolado nas suas grandes questões , fica em termos regionais na mesma situação do governante do país : olhando para todos os lados e fazendo o urgente, não o importante .