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Brasil - Conjuntura econômica no fim do milênio A economia brasileira voltou a respirar. A desvalorização do real e a drástica redução dos juros estão permitindo que os negócios se reativem, especialmente pela substituição de importações e o aumento das exportações. É óbvio que depois de quatro anos de massacre, nossa economia não tenha forças nem estrutura para reagir com mais velocidade. Mas vejamos alguns aspectos: Câmbio - A livre flutuação do câmbio, embora os solavancos naturais de seus primeiros momentos, permitiu estancar uma parte da hemorragia de divisas. Não fora a alteração cambial e, especialmente, o susto provocado por cotações, que chegaram a atingir 2 reais por dólar, o saldo comercial "negativo" deste ano chegaria próximo de 10 bilhões de dólares, quase 2% do PIB. Com o novo câmbio, nossas vendas reagiram violentamente. Substituímos um grande contingente de importações, mas lastimavelmente as cotações internacionais dos nossos exportados estavam e estão muito baixas. Até setembro/99, exportamos um volume físico 16% maior que no mesmo período de 1998, mas recebemos 30% a menos em dólares. O quadro abaixo retrata esta realidade. COTAÇÕES MÉDIAS INTERNACIONAIS
Fonte: FAEP com dados do Banco Mundial e da Bolsa de Nova Iorque Neste contexto, preocupa-me o fato de que a nova administração do Banco Central venha cedendo às pressões do Palácio do Planalto, fazendo intervenções baixistas no câmbio, para segurar, outra vez artificialmente, o preço do dólar. Foi seu único erro até agora. As atuais cotações, em torno de R$ 1,85 por dólar, descontada a inflação, significam R$ 1,75, o que já acende o sinal de alerta, primeiro por que as contas externas brasileiras sugerem que o câmbio deveria estar em torno de 2 por 1. Segundo, por que não é fácil, nem rápido e nem barato, reabrir canais de comercialização. Consequentemente, nossa moeda precisaria estar bem mais desvalorizada para compensar todos estes sacrifícios e custos. Nos casos de "produtos técnicos", como as autopeças, muitas vezes gasta-se um ano para as homologações tecnológicas , para depois, então, discutir preços e garantias de fornecimento. Mesmo assim, não fossem as cotações de preços internacionais deprimidos, teríamos registrado saldo positivo em 1999. Um ponto que me preocupa é o ajuste que a Argentina terá de fazer na sua economia, pois não se pode prever "prá que lado vão atirar", entretanto, uma coisa é certa, terá reflexos em nossa economia. Juros - O "novo" Banco Central vem administrando com maestria esta questão. Os juros primários já baixaram no limite do razoável, a partir de agora é esperar, pacientemente, a redução dos "buracos" nas contas do governo, a maior reativação da economia, com a consequente redução da inadimplência e a queda da tributação sobre as operações financeiras. É lógico que o custo do dinheiro influi na dinâmica da economia, mas o decisivo, mesmo, é a existência de mercado, que num primeiro momento depende das exportações e das substituições de importados. A taxa de juros está paulatinamente deixando de inibir negócios. Inflação - Os índices de elevação dos preços, atingidos neste ano, não surpreenderam. Imaginei até que poderiam passar dos 10%, pois muitas ações do governo estimularam os preços. Primeiro foi a inflação represada artificialmente, para atender objetivos eleitoreiros, que enfim começou a aparecer. Segundo foram os efeitos do reajuste cambial, previsivelmente modestos. Terceiro o brutal aumento da carga tributária, destinado a cobrir a gastança governamental, estima-se impactou em mais de 3% os preços em 1999. Finalmente, quarto, o violento aumento das chamadas tarifas públicas, comandadas pelo governo em 1999 (pesquisa de aumentos de preços aos consumidores-Curitiba - energia elétrica 12,6%, gás de cozinha 38,4% telefone 19,3%, gasolina 51,8%), feitas para atender as empresas estrangeiras que estão comprando estes setores. Se o governo não inventar nenhuma nova moda, é previsível que os aumentos de preços no próximo ano fiquem abaixo de 10%. Claro que esta previsão tranquilizadora considera que o governo efetivamente tome providências para ajustar suas contas e, vá diluindo no tempo a imensa dívida interna, que gira em torno de metade de nosso PIB. Esta é a grande ameaça. A aprovação de uma "lei de responsabilidade fiscal", para impor limites nos gastos públicos, seria um passo importante. Crescimento - A melhoria do nosso desempenho na competição internacional e a melhoria dos preços dos nossos produtos de exportação, deverão se constituir na alavanca da retomada do crescimento. Alguns setores já mostram a reativação. Não arrisco a estimar números, mas o quadro internacional apresenta-se mais favorável e a maturação de negócios mais complexos começará a frutificar. Consequentemente, deveremos iniciar o novo milênio em fase de crescimento econômico, com tendência de redução do desemprego, mas ainda com um grande desconforto social. Neste quadro, vale registrar que o Congresso tem feito um esforço muito positivo para fazer as reformas necessárias. Quem tem feito tudo para atrapalhar é o poder executivo.
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"Segurar, artificialmente, o preço do dólar, tem sido o único erro do Banco Central, até agora. Não é fácil , nem rápido, e nem barato, reabrir canais de comercialização".
"É lógico que o custo do dinheiro influi na dinâmica da economia, mas o decisivo, mesmo, é a existência de mercado, que num primeiro momento depende das exportações e das substituições de importações".
" A grande ameaça é a dívida interna, que gira em torno da metade do nosso PIB. A aprovação de uma lei de "responsabilidade fiscal", para impor limite nos gastos públicos, seria um passo importante".
"O quadro internacional apresenta-se mais favorável e a maturação de negócios mais complexos começará a frutificar. O milênio deve iniciar uma fase de crescimento econômico". |