As mulheres crescem e aparecem
Marilena Braga


Os homens cansaram. Por algum motivo o poder masculino rendeu-se ao peso da responsabilidade. Na mídia, nas palestras que hoje são cotidianas entre o público chamado “jovem empreendedor”, um eufemismo para disfarçar um presente sem oportunidades , a mulher, vestida de “executiva” – Carlos Alberto Piazza, diretor de marketing do Credicard S.A., diz que esse termo não existe, somos mais executores e executados – é objeto de mesuras e descabidos elogios. Hoje é ela a síntese do conhecimento, chave do sucesso para o ano 2000 e outros que virão com o século novo. A mulher tem , grande descoberta, sensibilidade e intuição. A grosso modo, significa que não carrega um piano com os braços, mas pode mostrar que é mais fácil arrastar o banquinho.Os argumentos não são meus, mas de consultores contratados para fazer palestras motivadoras por todo o Brasil.
As musas dos altos negócios estão nas páginas da revista Exame,editora Abril. Uma homenagem em cima de grandes empresas. No varejão das iniciativas, as mulheres participam de balcões de negócios oferecendo desde pães de queijo caseiros até sofisticadas consultorias em informática. Sabem de tudo o que se passa e não perdem a oportunidade de abrir a boca. Falar é com elas. Estudos científicos comprovam que, durante um dia, têm capacidade de dizer quatro vezes mais palavras do que os homens. É que seus cérebros são mais articulados quanto à fala. Sentem e falam simultaneamente . E como falam, diriam os homens , que precisam digerir os sentimentos antes de expressá-los verbalmente. Como os peixes, as mulheres morrem pela boca.
“Tanto quanto as mulheres desejam o poder os homens desejam livrar-se dele. Em verdade, eles querem correr o risco de ceder parte do controle que posuem. Eles não querem fazer isso com outro homem, mas com uma mulher.Se uma mulher assume claramente uma responsabilidade, conhece suas idéias, sua história, um homem depositará a seus pés o seu fardo de poder e soltará um suspiro, como fez Atlas ao retirar o mundo de seus ombros doloridos. Uma mulher que faz isso merece a eterna gratidão de um homem, sem falar em eterna confiança”. O que está entre aspas reproduz um trecho do livro “A Princesa , Maquiavel para Mulheres”, de Harriet Rubin, um ensaio sobre as estratégias que as mulheres devem desenvolver para atingir o poder, versão contemporânea e lúcida do clássico da Ciência Política. Harriet Rubin é dona de uma editora americana, que publica títulos com novas disciplinas e perspectivas para a chamada literatura de negócios.
Os tempos estão favoráveis às mulheres. Ao invés de ficarem coadjuvantes na vida do país, elas se preparam para investir trabalho e talento. É sabido que a solidariedade , mais do que todas, é uma característica feminina. Como o Brasil precisa polir suas panelas , uma prova de capricho e zelo diante de outros países , está o contingente feminino à mão. Em política, os homens administram a fartura. As mulheres, o conflito. É sua natureza. Nos negócios, os homens repartem os lucros. As mulheres, contabilizam os ganhos. É sua natureza. Digamos que a natureza feminina está sendo reclamada e as mulheres, ingrata natureza, não conseguem dizer não.

Marilena Wolf de Mello Braga é jornalista e empresária em Curitiba, diretora da Prima Donna Marketing Pessoal, Textos e Informação . Criou e edita o jornal Fortuna e Virtude, exclusivo para a Internet.


O Conselho da Mulher Executiva, que atua junto à Associação Comercial do Paraná, faz nos dias 26,27 e 28 deste mês , o Segundo Encontro Nacional de Conselhos de Mulheres Executivas. Entre as prováveis palestrantes, a deputada federal Rita Camata, autora da Lei Camata, que obriga os estados a limitar os gastos até 60 por cento com funcionalismo. Por obra dela, muitos governadores perdulários estão em dificuldades. Ela aprovou também, recentemente, uma lei que impede a discriminação da mulher no mercado de trabalho.


O Paraná vai sediar o I Congresso Internacional de Direito Eleitoral e Partidário , nos dias 19, 20 e 21 de agosto , em Curitiba. A iniciativa é da advogada Noely Manfredini Almeida , que será também a coordenadora do Congresso. Entre os temas a serem discutidos estão Financiamento dos Partidos Políticos nas Campanhas Eleitorais, receitas e limites de gastos; Propaganda Eleitoral e os Meios de Comunicação Social: benefícios, proibições e sanções; As Cortes Eleitorais: posição institucional dos organismos eleitorais na América ; Preparação da Mulher para o Exercício do Poder Político. Até agora, 14 países já confirmaram presença, entre eles México, Estados Unidos, alguns da América Central e quase todos da América do Sul. Estão sendo aguardadas as confirmações do Canadá, Alemanha , Colômbia, Venezuela e Portugal.