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< capa da edição de 14 de janeiro de 1999




O jogo de empurra da dívida do Paraná.

As dívidas dos estados brasileiros. A do Paraná é de 520 milhões de reais, pagável em 30 anos. E mais não se diz sobre isso. De onde, como, quando, quem, o quê . As perguntas básicas ficam sem resposta. Fortuna e Virtude não faz plantão dentro do Palácio Iguaçu. Há quatro dias procura com a imprensa do governo dados confiáveis que indiquem por que essa quantia é o que diz ser e como poderia ter sido enxugada . Os últimos governadores , que antecederam o atual, Jaime Lerner, reeleito para novo mandato, têm restrições a fazer. A do senador eleito Álvaro Dias é mais velada. Foi feita durante o horário eleitoral gratuito e dizia que o seu governo , encerrado em 1990, deixou dinheiro em caixa. Nos seus comerciais eleitorais apresentava a mídia nacional festejando , em inserções referentes à época de seu governo, o superavit de sua administração.

Não é possível confirmar os dados com o ex-governador, agora. Ele está nos Estados Unidos e só retorna no dia 23. Já esteve lá por algumas semanas depois do resultado eleitoral de 4 de outubro, e só retornou quando o presidente Fernando Henrique estava compondo o atual ministério. Presidente licenciado do PSDB do Paraná, Álvaro Dias ficou de fora do círculo de amigos do Presidente. O Ministério das Comunicações, que ele pretendia , foi para um tucano revivido, o mineiro Pimenta da Veiga , que depois de um longo ostracismo ­ mesmo caso de Álvaro Dias ­ conseguiu um mandato de deputado federal. Sem ministério, o senador eleito pelo Paraná fez as malas de novo e voltou para os Estados Unidos. Foi cuidar do que é importante. Deixou o urgente para os que precisam fazer a ­ lá vem o lugar comum ­ "lição de casa". ( Alguém aguenta ainda ouvir falar dessa tarefa escolar? )

O outro antecessor de Jaime Lerner é Roberto Requião, que governou o Paraná de 1990 a 94, passando o estado para o atual governador, eleito para um primeiro mandato em 94. Na mesma campanha eleitoral do ano passado, quando Requião disputou o governo e perdeu, mais da metade de seu horário eleitoral gratuito foi desperdiçado com os alertas sobre um governo perdulário que Lerner estaria fazendo. Uma parte das acusações ele comprovou. Apresentou um relatório da Comunicação Social do governo Lerner dando conta de que mais de 300 milhões de reais haviam sido gastos com propaganda institucional. A outra briga do senador peemedebista era com os contratos para instalação das montadoras de automóveis no Paraná. Mas aí esbarrou na caixa preta do atual governo. Perdeu Requião a eleição.

E o Paraná parece que perdeu a conta de como chegou a contrair a dívida com o governo federal . O governo diz que vai pagar. A história da dívida vai mais longe do que números. Álvaro Dias e Roberto Requião governaram com o Brasil debaixo de um inflação acelerada. Lerner pegou o governo freado pelo Real. No tempo da inflação, dinheiro para os governos era como água de rio correndo para o mar. Como não existia em consistência econômica, era fácil . Dentro do Real, a administração financeira mudou de figura. Mas não de hábitos. E essa é uma história que o governador Jaime Lerner tem de contar. Se quiser, porque a imprensa institucionalizada não está nada curiosa para saber se o estado foi, ou é, bem governado.





Jaime Lerner governa
o Paraná em segundo
mandato. Já foi prefeito
de Curitiba debaixo da
ditadura militar e sob a
ditadura da inflação.
Vê agora a suposta
segurança do Real
fugir da contabilidade
estadual.





Álvaro Dias está longe
do Brasil. Desde que
se elegeu senador,
em 4 de outubro,
fez dos Estados Unidos
seu endereço de
estudos. O estalo nasceu
quando presidia a Telepar ,
antes da estatal ser
privatizada.



Fortuna e Virtude
não tem foto do
senador Roberto Requião.
A ausência de uma
ilustração não invalida
as denúncias por ele
apresentadas, constantes
do texto. Seu silêncio
atual faz prever que
reflete sobre o combate,
mas a guerra não acabou.