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< capa da edição de 11 de fevereiro de 1999




A princesa e o sapo
João Meassi

Era uma vez uma princesa e um sapo que moravam num Palácio. Apesar de
viverem quatro anos juntos, e terem mais quatro pela frente, não se
gostavam. Por razões políticas ficavam dias e até meses sem se conversar. O
relacionamento entre os dois era frio, quase glacial. Ao contrário da
lenda, a princesa temia beijar o sapo por medo de ter diante de si um
príncipe muito feio. E o sapo não desejava ser beijado pela princesa. E
assim eles iam vivendo num palácio cheio de bobos e cortesãos.

A vida na corte era monótona. Tanto o sapo quanto a princesa quando se
entediavam resolviam viajar. Eles se revezavam no trono, porque quem mandava
no Palácio era o sapo e seus súditos e quando ele saía passava o cargo para
a princesa, a segunda pessoa mais influente do reino. A princesa gostava de
viajar pelo interior. O sapo preferia o exterior, onde era mais conhecido e
admirado.

Igual a lenda, o sapo tinha sido um príncipe. Gostava de cinema, viagens,
paisagismo, urbanismo e de bosques. Mas uma maldição da oposição raivosa o
transformou num sapo. O sapo era muito inteligente e conhecido mundialmente
por suas inovações urbanas. A princesa não tinha a fama do sapo, mas era
amada pelo povo. O sapo tinha mais votos na Capital e cercanias. A princesa
tinha origem na roça, vinha de uma uma província mais ao norte, conhecido
como principado dos pés-vermelhos.

O sapo conseguira se reeleger para mais um mandato, carregando consigo a
princesa. Mas dentro de quatro anos terminaria o reinado do sapo e as
previsões eram que a princesa e sua família assumissem o poder. A princesa
conseguira eleger seu filho, ainda um mancebo, para a câmara dos lordes e o
seu marido era o burgomestre numa província do principado.