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< capa da edição de 10 de abril de 1999





O segundo mandato é dos sócios.
Marilena Braga

Jaime Lerner está vivendo um período de desamor nos tempos do cólera. Anda impaciente, percebendo que perde a cada novo dia um pouco mais do controle da situação no Paraná. Não é só a administração que tem problemas. E não são poucos: falta dinheiro para honrar os compromissos com o funcionalismo; os consórcios de conservação das estradas, que cobram pela maquiagem nas rodovias , querem aumento nos pedágios. Está nas mãos deles, o governador. O cólera explodiu em Paranaguá, Litoral e atinge a Região Metropolitana de Curitiba. Uma correria. A propaganda bonita, ampla, quase amazônica, da inauguração da Usina de Salto Caxias, veiculada pela televisão ­ segundo o Palácio Iguaçu paga pela Copel, uma ainda estatal de capital misto ­ entrou em má hora. O noticiário vai todo para a falta de infraestrutura do Litoral, onde o cólera pode virar uma endemia.

O Banestado continua em compasso de espera. O homem que cortou as veias dos aposentados, o ex- ministro da Previdência Reinold Stephanes, está lá, marcando leilão do Banco del Paraná , uma extensão do Banestado no Paraguai. As contas até agora não fecharam para que o banco estadual se equilibre. A Prefeitura de Curitiba, reduto tranquilo do governador Lerner e seus seguidores há dez anos, agora calça galochas. As enchentes afogam os acrílicos e o adversário perene, senador Roberto Requião , aproveita o fato para encaminhar sua volta à prefeitura, em 2000. Uma guerra sem quartel que o governador Jaime Lerner sabe que precisará enfrentar. Se a reeleição for escanteada pelo Congresso ­ dezenas de deputados federais e senadores têm interesse em que a reeleição para prefeituras não perdure ­ nem canditato forte o partido do governador ­ o PFL ­ terá.

Ao falar no PFL chega-se ao capítulo mais dolorido da novela do desamor. Um samba rural atravessou o caminho dos amigos de Lerner. Sai Carvalhinho da presidência regional ­ deve retornar daqui a dois anos, em tempo para organizar a sucessão de Lerner ( só que não a favor de Cassio Taniguchi, como seria previsível, mas de Rafael Greca . Ou de Álvaro Dias? ) ­ e entra o grupo dos amigos do deputado Anibal Curi , presidente da Assembléia Legislativa. A convenção de hoje, 10 de abril, reintroniza na política o ex-governador João Elísio, que mora no Rio de Janeiro e vai ocupar a vaga que o ferrenho ruralista deputado Abelardo Lupion queria , apoiado pela bancada federal do partido. O PFL tem suas mágicas, não dá para negar.Sem sortilégios a seu favor, Jaime Lerner vai ao cinema refrescar a cabeça e arquitetar na prancheta suas próprias estratégias. Afinal, o partido não é dele, é dos outros.


Governador
Jaime Lerner